Caros Estudantes,
Diretores e Professores,
Dentro de uma escola surgem, quase que naturalmente, diferentes
grupos que se
articulam informalmente em torno das mais variadas razões
e motivos. A organização
dos grêmios estudantis é um deles e favorece
o relacionamento e a convivência
entre os nossos jovens. Por serem institucionalizados, podem
representar melhor a
rica experiência que é a busca coletiva dos
anseios, desejos e aspirações dos estudantes.
O Grêmio deve ser resultado da vontade dos próprios
alunos. São eles que devem
reconhecer a sua importância e que devem definir o
seu perfil. Os grêmios, organizados
dessa forma, exercem papel importante na formação
do aluno, devendo ter uma
dimensão social, cultural e também política.
Muitas vezes, os grêmios podem se tornar profundamente “incômodos”,
como no
período da ditadura militar, em que foram colocados à margem
da lei pela defesa dos
princípios democráticos e acabaram perdendo
muito do seu espaço. Ou mesmo agora,
quando muitas direções escolares agem contra
a formação dos grêmios, seja por
temerem a sua força reivindicatória, seja por
não conseguirem compreender a sua
importância.
Mas esta é uma visão precipitada. O educador
precisa ter consciência de que o
aluno se expressa, muitas vezes, pela contestação.
O bom educador enriquece, ganha
com isso, enxerga mais e melhor a realidade dos alunos.
Queremos que o aluno tenha voz e vez. Para isso, nos espelhamos
na preocupação
que o educador Paulo Freire teve ao tratar o aluno como agente
e não como mero
paciente. Queremos um aluno que seja, que haja, que viva.
Sempre gostei muito da participação, da luta
coletiva. Aprendi muito no Grêmio.
Muitas vezes, ele foi minha escola dentro da escola. Os grêmios
da atualidade não
devem ser uma tentativa de imitar os grêmios do passado.
Temos de encontrar um
novo caminho e acredito que estejamos dando apenas o primeiro
passo.
Mauricio Requião
Secretário de Estado da Educação
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